quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Uma mensagem aos colegas...

... Procure um lugar próximo à janela e desfrute cada paisagem que o tempo lhe oferecer, com o prazer de quem realiza sua primeira viagem. Não se apavore com os abismos, nem com as curvas que acabam desviando o olhar e não deixando você ver os lindos caminhos que estão por vir.


Procure curtir a viagem da vida, observando cada detalhe, cada arbusto, cada riacho, cada florzinha que apareça nos beirais de estrada e os tons que vão se modificando na paisagem. Desdobre o mapa e planeje roteiros.

Preste atenção em cada parada e fique atento ao apito da partida. E quando resolver descer na estação onde a esperança lhe acenou – não hesite: desembarque nela os seus sonhos... e não tenha medo de ser feliz...

Desejo que a sua viagem em 2008 seja de PRIMEIRA CLASSE, com muito amor e carinho pelo caminho”.
Feliz 2008 !!


Cecilia Garcez e família

3 comentários:

Celia disse...

Cecília,

Adorei a sua mensagem de Ano Novo. Ano que teremos que escolher novos dirigentes para várias entidades do funcionalismo do BB.
Tomara que tenhamos bom senso e coloquemos nos cargos, pessoas responsáveis, interessadas e com competência para exercer as funções para qual serão eleitas.
Célia Neves

Anônimo disse...

Na audiência pública realizada na Comissão do Trabalho, da Câmara dos Deputados, dia 29/11/2007, sobre o PL 512/2007, ficou deliberado uma requisição de dados ao Banco do Brasil, sobre os desligamentos ocorridos sem justa causa, no período compreendido entre os anos de 1995 a 2002. Os Srs. Deputados querem saber informações como:

- Quantos foram demitidos;

- Onde foram realizadas as demissões;

- Quais as condições com relação ao Fundo de Pensão, a PREVI;

- Uma relação nominal dos servidores demitidos;

Esses dados serão essenciais para nortear o início das negociações.

O Diretor de Recursos Humanos do Banco, reconheceu os fatos, o autoritarismo das gestões passadas, nessas demissões, e indicou algumas questões apresentadas pelo projeto de lei, caso seja aprovado, podendo impor ao Banco uma situação muito complicada, especialmente para identificar as pessoas que foram coagidas ou não, pois segundo ele, algumas demissões foram da conveniência dos servidores.

As injustiças foram cometidas por uma gestão equivocada, disse o representante dos trabalhadores, e isso fere os Direitos e Garantias Fundamentais, previstos nos artigos 5º., 6º. E 7º. da Constituição Federal, criando um problema social, trabalhadores que ficaram sem perspectiva de vida, perderam as esperanças de continuar vivendo com dignidade.

Para dar mais objetividade ao projeto, especificando com precisão o universo de pessoas que deverão ser contempladas, em seu artigo 4º. poderia conter a expressão: “desde que comprovem a condição de desempregados e sem nenhuma outra fonte de renda para o seu sustento e de seus familiares dependentes. Dessa forma, não restaria mais nenhuma dúvida, quanto à identificação desses servidores, no momento com dificuldade de sobrevivência.

Estamos debatendo o assunto, gostaríamos de receber manifestações sobre o tema através do e-mail celodan2003@yahoo.com.br.

No PDV de 1995 o Banco relacionou os nomes dos “elegíveis” causando constragimento aos funcionários. Foi como se os elegíveis não tivessem mais futuro profissional dentro da empresa: eles estavam dando prejuízo, pois sobrecarregavam a FOPAG, segundo afirmavam os administradores da agência e o próprio superintendente nas famosas reuniões realizadas para amedrontar os funcionários. Curioso era que faixa etária daqueles servidores iria impactar a PREVI quando estivessem aposentando, coincidência não? Apesar de terem dado apenas 11 dias para os funcionários decidirem sair ou não, o programa foi bem estudado pelos seus mentores e superou as expectativas e estatísticas em programas do gênero que geralmente alcançam resultados na ordem de 25%, mas no caso do BB chegou aos 80% de demitidos (existem literatura sobre o assunto confirmando tais dados). Prometeram linhas de crédito e convênio com o Sebrae para todos, mas foi tudo mentira. Queriam apenas livrar deles. Engraçado como tudo mudou de repente: antes o Banco oferecia cursos para aqueles que fossem aposentar preocupado com a mudança de vida dos seus funcionários. As agências tinham a famosa Sala dos Aposentados. Mas os pdvistas foram tratados como inimigos. Eles foram enganados e forçados a entregar o emprego aderindo a um programa suicida. Se quer foi feito um exame médico demissional: muitos estavam estressados por problemas financeiros, outros eram dependentes químicos, etc, aquelas enfermidades comuns em bancários. O Banco do Brasil desse Governo atual precisa reparar este terrível erro e com isso dar exemplo para outras instituições cujos funcionários também foram vítimas dos governantes malvados da época que não mediam esforços para atenderem ao FMI OU BANCO MUNDIAL.
Júlio Cézar Barros de Oliveira, 50 anos, ex-funcionário do Banco do Brasil e aderiu ao PDV DE 1995 e está desempregado até hoje sobrevivendo do mercado informal.
A PREVI NÃO QUER PAGAR OS PLANOS ECONÔMICOS SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES RELATIVAS A 1/3 DEVOLVIDAS AOS FUNCIONÁRIOS DEMITIDOS. ELA FICOU COM OS 2/3 (QUE ERA RECOLHIDA PELO BANCO PARA GARANTIR O PAGAMENTO DOS APOSENTADOS) E CONTRATA ADVOGADOS RENOMADOS PARA NOS DERROTAR. NÃO TEMOS CHANCE ALGUMA NA JUSTIÇA. MAS AGORA SINTO QUE VENCEREMOS PEDINDO JUSTIÇA NO PODER LEGISLATIVO.
Parabenizo a iniciativa desses parlamentares autores do PL 512/2007 e apresento meus agradecimentos.

Anônimo disse...

Obra mostra como mudanças estruturais no Banco do Brasil se confundem com a história recente do país

Livro disseca plano de reestruturação de banco
MANUEL ALVES FILHO

O processo de liberalização da economia brasileira, iniciado no governo Fernando Collor de Mello e intensificado nas duas gestões de Fernando Henrique Cardoso, tem como marco uma experiência considerada exitosa pelos seus idealizadores e executores, mas que se mostrou traumática para milhares de trabalhadores. O plano de reestruturação do Banco do Brasil (BB), fundamentado principalmente no Programa de Desligamento Voluntário (PDV), transformou a imagem da instituição e fez emergir uma série de conflitos e interesses até então desconhecidos da sociedade. Em seu livro “Metáforas do Brasil – Demissões Voluntárias, Crise e Rupturas no Banco do Brasil”, a antropóloga Lea Carvalho Rodrigues, que se doutorou pela Unicamp, faz uma análise minuciosa daqueles acontecimentos e os relaciona com as transformações ocorridas no próprio país na década de 90. “No meu trabalho, tento mostrar como a trajetória do banco se confunde com a trajetória do Brasil sob os pontos de vista histórico, econômico, político e social”, afirma.

13,5 mil funcionários aderiram ao plano

Lea, que trabalhou por quase 20 anos no Banco do Brasil, diz que ao longo de décadas a instituição financeira foi considerada símbolo de identidade nacional e sinônimo de segurança e ascensão profissional para os seus funcionários. Entre suas atribuições estava, por exemplo, o papel de contribuir para o sucesso da política econômica e financeira do país. Em virtude dessa atuação, destaca a autora no livro, “há que se considerar a singularidade das relações do banco com os governos aos quais se reporta e que nele intervêm abertamente e as relações de interação com a própria sociedade brasileira”. A antropóloga concentra seus estudos no período que vai de 1995, ano em que o PDV foi lançado, a 2000. Ela própria valeu-se do programa para deixar o BB. “Como o meu projeto de abraçar a carreira acadêmica já estava consolidado, não foi difícil fazer a opção. Entretanto, a grande maioria dos funcionários viu-se pega de surpresa. Muitos vivenciaram dramas terríveis por conta da escolha que fizeram”, conta.

De acordo com a pesquisadora, a decisão de aderir ou não ao PDV foi tomada no afogadilho. Na prática, lembra, os trabalhadores tiveram apenas 11 dias para se definir. À época, o BB contava com 107 mil funcionários. Destes, 55 mil foram classificados pela empresa como “elegíveis”, ou seja, aptos a participarem do programa. Cerca de 13,5 mil pessoas aceitaram deixar o banco por meio dessa alternativa, o que representou 80% do universo pretendido inicialmente pela instituição financeira. “Isso fez com que o PDV do Banco do Brasil fosse considerado um sucesso mundial em programas dessa natureza. As experiências internacionais apontavam para um índice médio de adesão da ordem de 25%”, aponta Lea.

A medida foi acompanhada de outras ações, que acabaram por provocar, nas palavras da antropóloga, uma ruptura do Banco do Brasil com seus funcionários e com a própria sociedade brasileira. “O plano de reestruturação da empresa, que tinha por objetivos a redução de custo e a melhoria de resultados, para torná-la mais competitiva, tinha claras motivações neoliberais e vinha acompanhado do argumento da modernização. Ocorre, porém, que esta modernização alterou a missão do banco. De uma instituição que tinha como metas a concretização de objetivos sociais e a promoção do desenvolvimento nacional, ela passou a atuar nos moldes de uma organização privada, voltada apenas para o lucro”, analisa a autora.

A pesquisadora destaca, ainda, que a estabilidade proporcionada pelo BB aos seus servidores, que na prática não existia pois os contratos de trabalho regiam-se pela CLT, era considerada pela própria direção da instituição como um valor nacional. “De forma que, para o BB, ao romper com essa estabilidade, em nome de uma eventual empregabilidade, rompiam-se também valores da própria sociedade brasileira”. O que ocorreu no Banco do Brasil, nota Lea, também foi levado a efeito em outras instituições públicas e estatais. A experiência forneceu, por assim dizer, as bases para a Reforma do Estado e implantação das políticas de liberalização da economia na década de 90, que obedeciam à lógica da estabilidade proposta pelo Plano Real e aos ditames dos organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, que exigiam também a reestruturação do Sistema Financeiro Nacional, de acordo com a antropóloga.

Não por acaso, prossegue a pesquisadora, a reestruturação do BB aconteceu no momento em que o governo FHC discutia as reformas da Previdência e da Administração Pública. Para executá-las, diz, a quebra da estabilidade dos funcionários do banco teria sido estratégica na tentativa de facilitar o processo, dado que as medidas que estavam sendo gestadas certamente encontrariam muita resistência por parte do funcionalismo público e de segmentos importantes da sociedade, dificultando a sua aprovação no Congresso Nacional. “Por essas e outras razões considero o Banco do Brasil uma metáfora do país. O que ocorreu com a empresa, alvo das chamadas medidas de modernização, é condizente com o que aconteceu com o Brasil nos anos 90. Ambos foram submetidos a mudanças drásticas em vez de processuais, o que, no caso específico do BB, resultou numa profusão de conflitos e revelou que interesses governamentais estavam por trás do conjunto de ações”, sustenta Lea.

Serviço
O livro “Metáforas do Brasil – Demissões Voluntárias, Crise e Rupturas no Banco do Brasil” é o resultado da tese de doutorado de Lea, apresentada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, sob a orientação do professor Guilhermo Raul Ruben. O estudo foi financiado pela Fapesp. A obra concebida pela antropóloga, que atualmente leciona no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC), tem 390 páginas e foi editada pela Annablume. O preço sugerido é R$ 40,00. Para adquirir exemplares diretamente com a autora, basta entrar em contato pelo e-mail: lea@ufc.br.

fonte:
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/agosto2004/ju262pag5a.html