sábado, 26 de julho de 2014

Semana de Perdas...

Caros Colegas,

Infelizmente esta semana foi marcada por grandes perdas no nosso país. Três grandes escritores partiram e nos deixaram, além da saudade, um grande exemplo de como olhar a vida de forma positiva e que a simplicidade e humildade são qualidades significativas e fundamentais no ser humano. Que Deus os receba de braços abertos!


Um deles é João Ubaldo, colunista de vários jornais e autor de vários livros, como "viva o Povo Brasileiro", "Sargento Getúlio", "A Casa dos Budas Ditosos", entre outros. Nosso célebre autor baiano consegue nos prender com suas histórias tão vivas, bem humoradas e que conseguiam nos transportar como se fizéssemos parte da história e dos seus tão fortes personagens. Membro da Academia de Letras, vencedor do mais importante prêmio para escritores em língua portuguesa - Premio Camões.

Seguem algumas frases bem interessantes do autor:

"Não me considero um homem de letras. Encaro com enorme tédio essa tal de literatura".
"Quem peca é aquele que não faz o que foi criado para fazer".
"Quanto mais coroa fico, mais vou sentindo frio".
"Em tese, somos capazes de nos apaixonar por tantas pessoas quantas sejamos capazes de lembrar, o limite é este, não um ou dois, ou três, ou quatro, ou cinco, ou dezessete, todos esses números são arbitrários, tirânicos e opressores".
"Um romance são tantos romances quantos forem seus leitores".
"Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo".

Outro grande escritor que se foi esta semana foi Ariano Suassuma. Ele nasceu em 16.06.1927, em João Pessoa e cresceu no Sertão paraibano. Mudou-se com a família para o Recife em 1942. Mesmo debilitado, ele permanecia em plena atividade profissional. "No Sertão do Nordeste a morte tem nome, chama-se Caetana. Se ela está pensando em me levar, não pense que vai ser fácil, não. Ela vai suar! Se vier com essas besteirinhas de infarto e aneurisma no cérebro, isso eu tiro de letra", disse ele em 2013, durante a retomada de suas aulas-espetáculo.
Escritor de vários clássicos, como o "Auto da Compadecida", "O Romance da Pedra do Reino", entre outros. Após 32 anos de sala de aula, Ariano se aposentou do cargo de professor da Universidade Federal de Pernambuco, em 1989. Em 1990, ele tomou posse na Academia Brasileira de Letras. No carnaval deste ano, Ariano foi homenageado pelo maior bloco do mundo, o Galo da Madrugada.

Frases que ficaram na história:

"Há duas raças de gente da qual eu me simpatizo: mentiroso e doido, porque eles são primos legítimos dos escritores".
"O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso."
"Eu digo sempre que das três virtudes teologais chamadas, eu sou fraco na fé e fraco na qualidade, só me resta a esperança. Eu sou o homem da esperança."
"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte:
o riso a cavalo e o galope do sonho
É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."


E o terceiro que também deixa muita saudade é Rubens Alves. Mineiro, nasceu em Boa Esperança, ele foi um psicanalista, educador, teólogo (doutorado em teologia) e escritor brasileiro, é autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis.

Frases para não esquecer:

"Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar”


"A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe. Fósforo que foi riscado.  Nunca mais acenderá. Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festa de aniversário. Se uma vela acesa é símbolo de vida, uma vez apagada ela se torna símbolo de morte."

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".


"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas."
"Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também."

domingo, 20 de julho de 2014

Equilíbrio ou Desequilíbrio atuarial?

Caros colegas,
 
Alguns jornais têm reforçado muito nos últimos meses a questão do desequilíbrio dos fundos de pensão das empresas estatais, principalmente Previ, Petros e Funcef.

Precisamos começar entendendo melhor o conceito de "equilíbrio atuarial", que é a garantia de equivalência, a valor presente, entre o fluxo de receitas estimadas e das obrigações projetadas, apuradas a longo prazo.  O desequilíbrio atuarial se dá quando as receitas previstas na legislação não são suficientes para cobrir a totalidade dos benefícios futuros. Vamos lembrar que o objetivo de um fundo de pensão é pagar benefícios de forma vitalícia aos seus participantes.

Um plano de benefícios encontra-se equilibrado quando o fundo de pensão mantém os recursos suficientes para assegurar a cobertura dos benefícios atuais e futuros. Esses recursos necessários para a cobertura dos compromissos do plano constituem o Ativo Líquido do Plano.

Contabilmente, quando o ativo líquido do plano é exatamente igual ao Exigível Atuarial, podemos dizer que o plano encontra-se equilibrado na data da avaliação atuarial. Se for superior, o plano encontra-se com superávit técnico e, nesse caso, conforme a LC 109/2001, tal superávit constituirá reserva de contingência para garantia de benefícios. Se for inferior, há uma insuficiência de recursos frente aos compromissos do plano e essa insuficiência ocasiona a necessidade de aumento de contribuições ou redução de benefícios.

Embora a Previ apresente retração no superávit, a situação de solvência é bem mais confortável do que os outros fundos de pensão de estatais, como Petros e Funcef. Por exemplo: o índice que mede a capacidade da Previ cumprir com a missão de pagar benefícios atuais e futuros é de 1,22. Ou seja, o Plano 1 tem 22% de recursos a mais do que o necessário para pagamento de todos os seus compromissos projetados no tempo. Poderíamos considerar que é um excesso de conservadorismo, mas em função da volatilidade do plano, que tem mais de 60% investido em renda variável, o cálculo não pode ser tão simplista.

Em relação à Previ, o maior impacto nas reservas matemáticas não é a longevidade ou aderência da tábua à longevidade dos participantes, mas sim a tábua de juros adotada, pois o cenário econômico como o nosso dificulta a sua definição. A taxa de juros é uma hipótese de impacto significativo na avaliação atuarial de um plano de benefícios, principalmente nos de benefício definido, como é o caso do Plano 1. A taxa de juros traz a valor presente pagamentos de benefícios que serão devidos daqui a 10, 20, 30, 50 ou mais anos. O aumento da inflação impacta diretamente nos valores da reserva matemática e só o Governo continua afirmando que não há aumento de inflação no Brasil. Nós já estamos sentindo esse fantasma no nosso bolso.

O que precisamos ter em mente na Previ é que o Plano 1, por ser maduro e fechado, não pode correr tantos riscos e ter mais de 60% dos seus recursos em renda variável, trazendo uma volatilidade para o plano que não seria necessária. Já foram feitos estudos sérios na Previ onde a alocação em renda variável considerada ótima para o perfil do plano, seria por volta de 30%. Os demais recursos deveriam ser desviados para investimentos de menor risco, como renda fixa.

Apesar de a Previ ter fechado 2013 com superávit, este não foi suficiente para cobrir os 25% da reserva de contingência, o que fez com que os dirigentes decidissem acabar com o BET antes do tempo e retornar as contribuições. Estamos dependentes do resultado do Bovespa para discutirmos melhorias de benefícios. O Mercado tem reagido de forma tímida e não parece que mudará a não ser que aconteçam mudanças significativas no cenário econômico e político (eleições 2014). Se a Bovespa subir acima dos 65 mil pontos, existe uma grande possibilidade da reconstituição da reserva de contingência no patamar de 25%, podendo gerar recursos para a rubrica reserva especial para revisão do plano.