sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Aeroportos - alegria precipitada

O mercado considerou os lances muito altos; isso pode atrasar investimentos e, no limite, até causar a devolução da outorga, como ocorreu na Ayrton Senna

O leilão de privatização dos aeroportos foi motivo de júbilo no governo, e a maioria dos analistas parece concordar com a alegria geral.

Temos poucas dúvidas de que a gestão privada adicionará valor à administração dos aeroportos. No entanto, parece-nos precipitada a celebração baseada nos altos ágios com relação ao preço mínimo exigido pelo governo -de 159,75%, em Campinas, a 673,89%, em Brasília.

É possível que os altos ágios, na verdade, impeçam que os investimentos em estrutura aeroportuária sejam feitos em tempo hábil para os megaeventos internacionais que nos esperam.

Consideremos o preço da ação do grupo OHL, que concorria pelos aeroportos, no dia do leilão.

Logo após a abertura do pregão (às 11h), há uma queda abrupta de quase R$ 64 para R$ 62,2 por ação. Nesse momento, o lance de R$ 12 bilhões dado pelo consórcio liderado pela OHL estava se saindo vencedor no leilão do aeroporto de Guarulhos.

Isso muda após o anúncio do lance de R$ 16 bilhões da Invepar, consórcio que seria vencedor. As ações da OHL, então, tiveram forte alta.

Às 12h30, logo após o encerramento do leilão, a preço da ação da OHL pula de R$ 63 para R$ 67, ficando neste patamar durante o resto do pregão. Ou seja: quando a empresa passou de vencedora para perdedora, as suas ações se valorizaram.

Há 68.888.888 ações da OHL. Portanto, perder o leilão adicionou quase R$ 331 milhões de valor à empresa. Todas as empresas cotadas em Bolsa que perderam no leilão subiram mais que o mercado no dia 6 de fevereiro. Por outro lado, os papeis da Triunfo, que tem 45% do consórcio vencedor em Viracopos, caíram mais de 3%, representando uma perda de R$ 42 milhões -e o Ibovespa subiu nesse dia.

No dia seguinte, quando a agência de risco Fitch colocou a dívida da Triunfo em observação negativa, houve uma queda adicional de incríveis 10% no valor da companhia. Maneira gloriosa de celebrar a vitória.

Em teoria de leilões, essa perda é chamada de maldição do vencedor: ganhar é um sinal de que os outros avaliaram que o objeto vale pouco. Trata-se, portanto, de uma má notícia para a empresa.

Afinal, as três maiores empreiteiras brasileiras participaram do leilão e deram lances bem abaixo dos vencedores. Deve haver alguma razão para isso. O veredito do mercado é que as empresas vencedoras perderam. Mas o governo ganhou? Não necessariamente.

Essas empresas serão responsáveis por investimentos significativos na melhoria dos aeroportos. Se elas não conseguirem rentabilizar as suas operações, os investimentos sofrerão e a operação dos aeroportos ficará comprometida.

O passo seguinte é a tentativa de renegociação -ou, na linguagem um tanto eufemística da indústria, "administração de contratos".

Nesse caso, o governo, além de não obter os investimentos, pode perder a receita da outorga. Afinal, o pagamento será feito em parcelas, durante os 20 anos de concessão.

No limite, é melhor para a concessionária devolver a outorga do que continuar jogando dinheiro fora. É preciso lembrar que um dos vencedores recentemente devolveu a outorga da rodovia Ayrton Senna.

Talvez seja fácil entender alguns lances vencedores, como o de Guarulhos. Sendo concessionária, a empresa não está sob jurisdição do Tribunal de Contas da União que, corretamente, exige a transparência necessária em investimentos públicos.

Além disso, boa parte dos recursos do consórcio vencedor vêm de entidades fortemente ligadas ao governo federal (os fundos de pensão Previ, Petrus e Funcef). Ou seja, seria uma privatização branda. Mas o dinheiro do cotista é privado.

A esta altura, não é claro se os passageiros têm muitos motivos para celebração. Mas está claro que, se fôssemos cotistas da Previ, o dia 6 de fevereiro não seria uma razão para comemoração. (VINICIUS CARRASCO e JOÃO MANOEL PINHO DE MELLO - Folha de S.Paulo)

A Petros na privatização dos aeroportos

A diretoria da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet) lançou manifesto, ontem, contra a “utilização dos recursos dos empregados da Petrobrás na recente privatização dos aeroportos”. A Petros, fundo de pensão dos petroleiros, participa do consórcio INVEPAR-ACSA, vencedor do leilão do aeroporto de Guarulhos (São Paulo).

Estranhos no ninho

Como bem descreve a diretoria da Aepet, a INVEPAR é mistura estranha entre a construtora OAS e os três maiores fundos de pensão de estatais: Previ, do Banco do Brasil; Petros, da Petrobras e Funcef, da Caixa Econômica Federal.

Que isso, companheiro!

A Associação dos Engenheiros reclama que a participação da Petros no leilão não foi discutida no Conselho Deliberativo da Petros.

Centralismo

Diz a diretoria da Aepet: “entendemos que os recursos dos empregados não devem ser utilizados para privatização ou concessão de setores fundamentais para a população. Muito menos para favorecer um grupo privado que, como a grande maioria das grandes empreiteiras, é financiadora de campanhas eleitorais”.

Mais do mesmo

A Associação lembra que os fundos de pensão foram utilizados em governos passados para viabilizarem a privatização dos setores siderúrgicos, de energia elétrica e telecomunicações, criando grandes oligopólios privados e disparando os valores das tarifas cobradas.

Bom dinheiro

“Os recursos da Petros devem ser utilizados em investimentos eticamente defensáveis, que contribuam para o desenvolvimento do país, com rentabilidade justa e segura, sem favorecimento a grandes grupos privados”, reclama a Aepet. (Gazeta/Porto Gente)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

PREVI e Provisões Extras reduzem lucro do BB

O Banco do Brasil registrou um lucro líquido de R$ 2,972 bilhões de outubro a dezembro do ano passado, com uma queda de 25,7% em relação ao mesmo período de 2010. Fatores como a redução dos ganhos com o fundo de pensão dos funcionários do banco (Previ) e maiores provisões colaboraram para a redução do resultado. No ano, porém, houve um crescimento de 3,6%, para R$ 12,1 bilhões.
Um dos principais entraves para no último trimestre de 2011 veio da Previ. O superávit do fundo de pensão caiu de R$ 1,9 bilhão de outubro a dezembro de 2010 para R$ 500 milhões em igual período do ano passado. Além disso, houve um crescimento das provisões de 52%, para R$ 3,2 bilhões. Essa cifra inclui tanto reservas para créditos de liquidação duvidosa quanto para disputas judiciais. Do lado do crédito, o movimento, segundo o banco, se deve a uma base de comparação com um trimestre de 2010 cujo volume de provisão foi "anormalmente baixo". (...)
(...) As ações do Banco do Brasil reagiram bem aos números apresentados ontem. Os papéis tiveram uma valorização de 4,09%, enquanto o Ibovespa recuou 0,99%. A visão do Goldman Sachs é que, apesar do peso do Votorantim, que teve um expressivo volume de provisões, o Banco do Brasil mostrou um resultado sólido, especialmente levando em consideração a carteira de crédito (que sem BV, teria crescido 6,2% na comparação com mesmo trimestre do ano passado).
O Barclays Capital ressaltou que "a qualidade dos ativos do banco foi melhor que o esperado e manteve-se razoavelmente sob controle", notando que o BB já deu sinais de que trabalha nos problemas do Votorantim. (Colaborou Felipe Marques- Valor Online)

Plano 1 - Entenda a reversão de valores ao patrocinador

Os participantes do Plano de Benefício Definido do Fundo de Pensão dos Trabalhadores da Vale (Valia) estão passando por situação similar aos participantes do Plano de Benefícios 1 da Previ quanto a distribuição de superávit. No entanto, em função das diferentes leis que regem a previdência complementar, no Plano 1 da Previ o superávit teve que ser dividido com o patrocinador, ao contrário do que aconteceu no Plano da Valia.

No acordo fechado com os participantes da Valia não houve reversão de valores ao patrocinador. Isso porque a Valia se enquadra no que diz o artigo 15, parágrafo 2º, da Resolução CGPC nº 26/2008. O dispositivo coloca que os planos de benefícios que não estejam sujeitos a Lei Complementar nº 108, de 2001, que é o caso da Valia, podem destinar a reserva especial de forma exclusiva ou majoritária em prol dos participantes e dos assistidos, sem levar em consideração a proporção contributiva, ou seja, sem ter que dividir o montante com o patrocinador. O Conselho Deliberativo da Valia apenas reforçou a norma e orientou que a destinação do superávit fosse revertida para concessão de benefícios aos participantes.

Os participantes do Plano de Benefícios 1 da Previ, por sua vez, estão sujeitos a Lei Complementar nº 108, que trata da relação das sociedades de economia mista e suas respectivas entidades fechadas de previdência complementar. Isso significa que por se enquadrar na Lei Complementar nº 108, a destinação do superávit do Plano 1 seguiu o caput do artigo 15 da Resolução nº 26.

"Art. 15. Para a destinação da reserva especial, deverão ser identificados quais os montantes atribuíveis aos participantes e assistidos, de um lado, e ao patrocinador, de outro, observada a proporção contributiva do período em que se deu a sua constituição, a partir das contribuições normais vertidas nesse período."

Fonte: www.anabb.org.br

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Banco do Brasil registra lucro recorde de R$ 12,1 bilhões em 2011

Caros Colegas,

O Banco anunciou hoje mais um lucro recorde referente ao ano de 2011. E eu não poderia de deixar de fazer uma provocação e perguntar: Quanto foi contabilizado, em termos de recebimento futuro, dos recursos referentes ao Plano1 da Previ? Com certeza, uma boa parcela do Plano 1 ajudou a compor esse recorde, além dos recursos mensais que estão entrando no caixa do Banco e, da mesma forma, nas contas dos associados.

O Banco do Brasil anunciou nesta terça-feira um lucro líquido de R$ 12,126 bilhões em 2011, com crescimento de 3,6% sobre o resultado de 2010. Segundo levantamento da consultoria Economatica, é o maior ganho anual da história do banco estatal.

O lucro líquido por ação alcançou R$ 4,28 em 2011, contra R$ 4,34 registrados no ano anterior. Os ativos totais alcançaram em dezembro total de R$ 981,23 bilhões, o que corresponde a crescimento de 21,0% em 12 meses.
O ano passado foi de grandes ganhos para os bancos brasileiros. Maior banco privado brasileiro, o Itaú Unibanco teve lucro de R$ 14,64 bilhões - a maior marca já registrada por um banco no Brasil. Já o Bradesco apurou lucro de R$ 11,02 bilhões.
A carteira de crédito do Banco do Brasil fechou 2011 em R$ 465,1 bilhões, um avanço de 19,8% em 12 meses, no conceito ampliado. Sem incluir garantias prestadas e títulos e valores mobiliários privados, a carteira encerrou o ano passado em cerca de R$ 423 bilhões, expansão de 18% sobre um ano antes.
Apesar disso, o aumento da provisão para crédito de liquidação duvidosa foi de 35% entre os períodos, passando de R$ 2,139 bilhões para R$ 2,892 bilhões nos três meses encerrados em dezembro de 2011. Enquanto isso, o índice de inadimplência da carteira do quarto trimestre, medido pelo saldo de operações vencidas há mais de 90 dias, recuou de 2,3% no último quarto de 2010, para 2,1%, se mantendo estável na comparação com o terceiro trimestre.
Para o quarto trimestre, o lucro líquido foi de R$ 2,972 bilhões, uma queda de 25,7% sobre o obtido um ano antes, impactado por aumento de provisões para perdas com crédito. A previsão média de analistas consultados pela Reuters apontava para lucro sem efeitos extraordinários de R$ 2,73 bilhões.
Fonte: informações da Reuters