segunda-feira, 18 de março de 2013

Investimentos furados

 

Caros colegas,

Eu tenho lido nos jornais as intenções do Governo em relação à pressão para os fundos de pensão investirem em negócios de infraestrutura. Já foi falado sobre o "trem bala", sobre os aeroportos, sobre portos, sobre usinas, enfim, investimentos onde o Governo teria que ter uma boa participação ou que criasse situações onde esses investimentos se tornassem viáveis para a iniciativa privada, porém, o que faz o governo? Como ele não quer deixar de colocar seus tentáculos nesses investimentos, ou seja, ter ingerência na gestão, pressiona os fundos de pensão de estatais para participarem desses investimentos. E o pior, meus amigos, é que não há voz dentro da Previ (eleitos) que grite contra esses absurdos que estão aparecendo por aí...
Por isso, eu gostaria de compartilhar com vocês, um texto que o colega Carvalho publicou em seu blog e que eu acho bem pertinente para começarmos nossa discussão.

Ultimamente tem circulado notícias sobre a retomada do projeto TREM BALA.
Novamente a PREVI pode ser escalada para participar dos investimentos deste projeto duvidoso, através da INVEPAR, da qual participa, junto com a OAS.
Em 2012, em uma palestra do Presidente da INVEPAR, indaguei sobre a participação no TREM BALA. Perguntei se era viável. Ele respondeu que era inviável, mas que, estava sendo refeito para novas análises.
Circulam informações de que o projeto terá um custo de cerca de R$ 35 bilhões e que o Governo vai recorrer aos fundos de pensão para aportarem recursos.
A imprensa comentou sobre os riscos ambientais, possibilidade de super faturamento e baixa taxa de retorno. Abordou sobre o desinteresse da iniciativa privada.
A INVEPAR foi criada em 2000 para atuar em infra estrutura e transportes. Participou de privatizações de rodovias. Em 2012 participou da privatização do aeroporto de Guarulhos, cujo processo foi questionado, considerando o seu fechamento por valor bem mais elevado do que a avaliação.
A PREVI participa com 36% do capital da INVEPAR e indica conselheiros, “pro forme”. As decisões são tomadas previamente pelos acionistas, conforme acordo assinado. Os conselheiros acompanham as decisões.
Em minha opinião, investi no TREM BALA não interessa ao Plano I da PREVI que está fechado e em extinção. Além de outros riscos que apresenta e do longo período de maturação, existem incertezas da rentabilidade. De outro lado, a PREVI está com 61% dos seus investimentos em renda variável, muito concentrado. Está desenquadrada na INVEPAR, pois não pode participar com mais de 25% do capital.
Por este e outros motivos devemos ficar alertas, fazendo o possível para que a vontade do Governo não se materialize mais uma vez, em prejuízo dos participantes do plano.
Temos no passado exemplos de insucessos de projetos fracassados, aprovados por influências de Governos e interesses particulares.
Como exemplo, citamos a Costa do Sauípe, em que a PREVI foi atraída pelo Governo e Odebrech, que em seguida construiu um condomínio do lado do empreendimento, teve suas terras valorizadas e depois caiu fora. Entre 1998 a 2002 a PREVI investiu cerca de R$ 180 milhões. Este valor virou pó. Está contabilizado como zero. Se tivesse aplicado em outros ativos, hoje poderíamos ter cerca de R$ 1,6 bilhões, pois a rentabilidade da PREVI nos últimos 15 anos ultrapassou mil por cento. Além deste prejuízo, chamado de “custo de oportunidade” o resultado operacional negativo acumulado, “prejuízo”, passa dos R$ 100 milhões. Ademais, a PREVI continua gastando para manutenção do complexo, até encontrar alguém interessado na compra.
Vamos ficar atentos, amigos, conclamando os Diretores eleitos para barrarem a aprovação de investimentos neste projeto. Na diretoria temos 3 Eleitos e 3 indicados. Não existe o voto de minerva. Aprovações ocorrem por maioria. Basta um eleito passar para o lado do Banco/Governo, a exemplo do que vem ocorrendo em outras decisões, estaremos mais uma vez prejudicados. No futuro, devemos ter o cuidado para elegermos Diretores realmente comprometidos com os associados.
OBS:
Fica autorizado o repasse, preservando a fonte.
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Antonio Jose de CARVALHO