Está aberta a temporada de caça aos bilhões que os fundos de pensão poderão investir a mais em ações, multimercados, fundos imobiliários e no exterior. De imediato, a maioria dos analistas descarta a possibilidade de uma movimentação grande de recursos entre aplicações. Contudo, os gestores já procuram formas de atrair parte dos R$ 500 bilhões de patrimônio das fundações com alternativas de diversificação.
A flexibilização pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) das regras de investimento das fundações pode estimular, por exemplo, o desenvolvimento do mercado de fundos que aplicam no exterior. Desde que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regulamentou, em fevereiro do ano passado, a criação de carteiras dedicadas a investir 100% do patrimônio lá fora, foram poucas as casas que se aventuraram por esse caminho.
"Como esse é um nicho que está começando do zero no país, os gestores vão ter de se mexer e isso significa correr para lançar fundos e criar um histórico", afirma o vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello. A própria SulAmérica vai seguir essa linha, conta o executivo.
O limite para aplicações fora do país pelos fundos de pensão foi ampliado de 3% para 10% na nova Resolução 3792 do CMN, que substituiu a 3456. A alteração pode não parecer significativa, uma vez que as entidades não estavam usando o percentual permitido. Só que 3% não era uma parcela considerada relevante pelas fundações que justificasse a análise desse tipo de aplicação, explica o sócio da da Gávea Investimentos, Marcelo Stallone. Com 10%, já começa a fazer sentido, destaca.
Stallone acredita que a maior movimentação dos gestores tende a ser para aproveitar essa oportunidade. "Quem tiver condição de oferecer gestão no exterior vai lançar fundo para atrair esse novo público", diz. Ele lembra que esse mercado não deslanchou porque a iniciativa da CVM de internacionalização dos fundos ocorreu justamente no ano da crise global, quando falar de aplicação no exterior assustava.
Para os gestores internacionais, a flexibilização das regras de investimento no exterior tornou o mercado brasileiro muito mais interessante, ressalta Mello, da SulAmérica. Ele acredita que a medida deve atrair mais instituições ao país, a exemplo do que ocorreu no Chile e no México.
Os fundos multimercados também foram beneficiados pela novas regras para as entidades fechadas de previdência, segundo os especialistas. Assim como no caso das aplicações no exterior, o limite para essas carteiras subiu de 3% para 10%. As fundações também não perdiam tempo analisando a aplicação em fundos hedge e isso deve mudar daqui para frente, afirma Mello. Os gestores, porém, estão preparados. "Há uma ampla gama de multimercados."
O executivo pondera, no entanto, que os novos limites não vão ser tomados de uma hora para outra, não no curto prazo. Mas, segundo ele, é importante ter um arcabouço legal que dê mais flexibilidade para as fundações baterem suas metas atuariais.
No passado, com os juros altos, os fundos de pensão já começavam o ano ganhando o jogo, não havia incentivos para buscar opções, lembra o sócio da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa. Hoje, afirma ele, mesmo que a taxa de juros volte para casa dos 10% em 2010, conforme já se projeta, a situação para bater a meta é apertada para as entidades, de 6% além da inflação.
Póvoa acredita que os fundos de pensão vão buscar primeiro ampliar a parcela em ações e multimercados. A aplicação no exterior será o último passo, segundo ele, por conta da falta de experiência das fundações. Para o sócio da Modal, o investimento lá fora deveria ser encarado como uma alternativa de diversificação, e não apenas do ponto de vista de retorno como enxergam as fundações. "Mas o processo de mudança será gradual", prevê.
A flexibilização abre caminho para os fundos de pensão investirem no exterior, aumentar a parcela de ações, mas não será isso que vai acontecer necessariamente, diz José de Souza Mendonça, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). "Sem a Previ, a média da participação das ações na carteira dos fundos é de 18,5%, portanto, já haveria espaço para aumentar", diz.
No caso dos investimentos no exterior ocorre o mesmo, diz Mendonça, lembrando que a média de aplicações dos fundos está em 1%, um terço do limite anterior de 3%. "Mas claro que, com um limite maior, de 10%, já vale mais a pena para o gestor do fundo estudar a aplicação lá fora, até porque ninguém vai sair aplicando sem saber direito como essas aplicações funcionam", diz. De toda forma, o presidente Mendonça crê que a parcela que o sistema aplica no exterior (1%) não aumentará de imediato. "No momento, os investimentos mais atrativos estão aqui."
Para Mendonça, no caso das ações, a grande mudança foi a autorização para operações estruturadas, que englobam os fundos de direitos creditórios (FIDC) e que acabavam entrando no limite de renda fixa. "E os fundos imobiliários reduziam a parte relativa aos imóveis."
Mendonça admite que os fundos de pensão vão correr mais risco. "Mas viver é correr risco, o que se pode fazer?" questiona. Outro ponto é a necessidade de diversificação. "Há três anos, para cada título público eu tinha um de empresa privada", lembra Mendonça. "Hoje já é um público por um privado e não sei onde vou parar, por isso essa flexibilidade maior vai me permitir um melhor planejamento", diz.
A decisão de aumentar a parcela de ações vai também depender do perfil de cada fundo. "Carteiras novas, que vão demorar a pagar benefícios, podem correr mais risco, outras mais antigas não", diz. O tamanho dos fundos influenciará. "Mas a diversificação será maior", diz ele, lembrando que, nos últimos 15 anos, o retorno da bolsa acima da inflação foi de 9%, enquanto o da renda fixa foi de 12%. "Com juro acima de 12%, não fazia sentido ir para a renda variável, mas agora isso mudou", diz.
Estudo do banco inglês Barclays mostra que hoje a maioria dos fundos de pensão tem menos de 20% de seu patrimônio investido em bolsa, apesar de a média do segmento ser de 30,4% em maio. Isso se deve ao fato de alguns fundos com elevado patrimônio estarem bem acima do limite, caso da Previ, do Banco do Brasil, que tem 70% aplicados em renda variável. Os fundos de pensão chegaram a ter em média 37,7% em ações em maio de 2008, segundo o Barclays. Mas o pico de todos os tempos foi em 1994, quando a participação da renda variável bateu 43% do total de ativos. Entre 1997 e 1999, a participação saiu de 29% para 38,5%. (Valor – Folha de S. Paulo )
Nada muda no curto prazo -"A nova regra para os fundos de pensão não muda nada no mercado no curto prazo", diz Jorge Simino, diretor de investimentos da Fundação Cesp.
"Os fundos têm compromisso com o pagamento de aposentadorias. Por definição, movem-se mais lentamente." A alocação máxima permitida em ações já era de 50%. Excluindo-se a gigante Previ, porém, os fundos de pensão aplicavam só cerca de 16% nesses ativos.
"A média de aplicação em ações estava abaixo do permitido. Não subirá logo, ainda mais no atual nível de preço das ações."
Quanto aos investimentos no exterior, não deverá ser diferente. "Vai ter que constituir fundo no Brasil (os fundos de pensão só poderão aplicar através de fundos de investimento). Até ver o que é adequado à relação risco, inclusive de câmbio, e retorno, vai demorar." No México e no Chile, medidas semelhantes levaram mais de cinco anos para ter efeito, diz. (Folha de S. Paulo)
Relatório - A mudança dos limites de aplicação dos fundos de pensão terá impacto gradual no mercado de ações, avalia relatório do Barclays Capital, assinado pelos analistas Roberto Attuch e Henrique Caldeira. Segundo o estudo, considerando a exposição média em ações dos fundos de pensão e excluindo a Previ, os fundos teriam 19,5% do patrimônio em ações, o equivalente a US$ 65 bilhões em setembro. "Mas assumindo que os fundos, excluindo a Previ, aumentem sua participação gradualmente de cerca de 20% para 30% a 35%, isso representaria um fluxo para ações de R$ 28 bilhões a R$ 42 bilhões", diz.
Mas, apesar de achar que os investimentos em ações dos fundos vão crescer, o banco vê alguns problemas que vão tornar esse movimento gradual. O primeiro, de curtíssimo prazo, é que os ganhos obtidos neste ano na bolsa devem adiar para 2010 os projetos da maioria dos gestores desses fundos de tomar maior risco. O banco estima que as contribuições e a estratégia de comprar e manter ações, dada a atual valorização dos papéis, deve ter elevado a média do setor para 31,6% em bolsa. Com isso, o retorno médio das carteiras deve estar em 14,3% neste ano, muito acima da meta atuarial de 6% reais ao ano. Diversificar agora poderia pôr a perder esse ganho.
Outra expectativa do banco é que as metas atuariais, que exigem rendimento mínimo de 6% ao ano, sejam modificadas, como ocorreu com a Previ, que trabalha hoje com 5,75%, e Eletros, com 5,5% ao ano. Analistas já vêm alertando que os 6% ao ano eram adequados quando os juros reais eram mais altos, mas são incompatíveis com as projeções de queda das taxas reais brasileiras.
O Barclays lembra também que, diferentemente dos anos 90, quando as ações eram praticamente a única alternativa de diversificação, além dos imóveis, hoje há um grande leque de opções que surgiu com a sofisticação do setor de fundos e gestão de recursos - incluindo aplicações no exterior. Além disso, os fundos de pensão mantêm uma preferência por renda fixa, o que deve levá-los para bônus de empresas com taxas mais atrativas ou ainda operações com recebíveis, como fundos de direitos creditórios (FIDC) ou operações estruturadas.
A meta de atingir 50% do patrimônio em ações, que nunca foi atingida, também se mostra ambiciosa mesmo em termos internacionais. Segundo o Barclays, são poucos os países onde a parcela em ações atinge a metade dos ativos dos fundos de pensão, caso de Estados Unidos e Islândia. Incluindo fundos mútuos, inclusive de renda fixa, a diversificação supera 50% em cinco países - Bélgica, Austrália, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.
O banco considera que um impacto maior para a bolsa viria da diversificação dos fundos de investimento, com recursos saindo da renda fixa para ações. (Valor)
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Nova Resolução altera limites de investimentos
Se vocês acessarem o site da Previ verão, na íntegra, a nova Resolução aprovada pelo Conselho Monetário Nacional. Como vocês podem verificar, ela altera o limite dos investimentos de 50% para 70% dos recursos alocados em renda variável. Gostaria de compartilhar com vocês minha preocupação com esta Resolução. A quem ela é destinada? No meu entendimento, a Previ, é a única entidade que se encontra com o plano desenquadrado com investimentos acima de 60% em renda variável. Outra pergunta: Qual é o motivo dessa mudança tão repentina? A minha preocupação vem justamente dessa última pergunta, que espero estar totalmente equivocada.
Como ano que vem é ano de eleições presidenciais e, como existe uma bandeira forte do Governo em investir pesadamente na Petrobrás incentivando a exploração da reserva do pré-sal, inclusive com algumas observações de que os Fundos de Pensão possam participar desse investimento, meu único receio é que haja apetite da Previ em investir mais em renda variável e, principalmente, no pré-sal.
Temos que lembrar que nosso plano é maduro e que temos recursos suficientes para cumprir com nossas obrigações. Quero lembrar também que não adianta correr maiores riscos para ter um superávit maior, já que não conseguimos distribuí-lo aos associados. Então, vem a pergunta final - Para que correr riscos se já temos recursos mais que suficientes para pagar os benefícios, com folga até para melhorá-los?
Em minha opinião, essa resolução não observa os casos de planos maduros, que em sua essência, não deveriam correr riscos altos. O momento é de casar as obrigações futuras com os recursos existentes criando o objetivo de dar segurança a todos os participantes do plano.
Conselho Monetário altera limites de investimentos
O Conselho Monetário Nacional divulgou a Resolução 3.792, de 24 de setembro, que altera os limites de alocação dos recursos dos fundos de pensão em alguns dos segmentos. Entre as mudanças está a possibilidade de ampliar, para 70%, a exposição em renda variável. "Art. 36. Os investimentos classificados no segmento de renda variável devem observar, em relação aos recursos de cada plano, o limite de até setenta por cento (....)", observados limites adicionais que variam conforme o segmento da Bovespa no qual estejam listadas as empresas investidas.
fonte: http://www.previ.com.br/
Como ano que vem é ano de eleições presidenciais e, como existe uma bandeira forte do Governo em investir pesadamente na Petrobrás incentivando a exploração da reserva do pré-sal, inclusive com algumas observações de que os Fundos de Pensão possam participar desse investimento, meu único receio é que haja apetite da Previ em investir mais em renda variável e, principalmente, no pré-sal.
Temos que lembrar que nosso plano é maduro e que temos recursos suficientes para cumprir com nossas obrigações. Quero lembrar também que não adianta correr maiores riscos para ter um superávit maior, já que não conseguimos distribuí-lo aos associados. Então, vem a pergunta final - Para que correr riscos se já temos recursos mais que suficientes para pagar os benefícios, com folga até para melhorá-los?
Em minha opinião, essa resolução não observa os casos de planos maduros, que em sua essência, não deveriam correr riscos altos. O momento é de casar as obrigações futuras com os recursos existentes criando o objetivo de dar segurança a todos os participantes do plano.
Conselho Monetário altera limites de investimentos
O Conselho Monetário Nacional divulgou a Resolução 3.792, de 24 de setembro, que altera os limites de alocação dos recursos dos fundos de pensão em alguns dos segmentos. Entre as mudanças está a possibilidade de ampliar, para 70%, a exposição em renda variável. "Art. 36. Os investimentos classificados no segmento de renda variável devem observar, em relação aos recursos de cada plano, o limite de até setenta por cento (....)", observados limites adicionais que variam conforme o segmento da Bovespa no qual estejam listadas as empresas investidas.
fonte: http://www.previ.com.br/
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