segunda-feira, 8 de abril de 2013

Análise Relatório Previ 2012 (2)


Caros colegas,
No “post” anterior falamos sobre os ativos da Previ em 2012, agora apresentarei os pontos principais do passivo do Plano 1, bem como do resultado geral.

O passivo divide-se em:
- Exigível Operacional (obrigações decorrentes de acordos firmados com o Banco do Brasil por direitos a benefícios pelos associados e por obrigações fiscais);

- Exigível Contingencial (recursos para arcar com decisões em processos judiciais quando existe a possibilidade de perda);
- Patrimônio social (incluem as obrigações para cobertura do Plano).

Exigível Operacional    R$ 21.893.564
Exigível Contingencial -   R$ 1.912.090
Patrimônio Social:
    Patrimônio para cobertura do plano:            R$ 135.924.985
    Provisões Matemáticas:                                R$ 108.630.080
         - Benefícios concedidos:                          R$  91.559.441
         - Benefícios a conceder:                          R$  31.280.689
         - (-) Provisões matemáticas a constituir:  R$ (14.210.050) = referem-se à parcela de provisão a constituir relativa ao grupamento pré 67.
 
     Equilíbrio Técnico:                                      R$ 27.924.905
     Reserva de Contingência:                            R$ 26.287.638 (25% das
                                                                   Provisões matemáticas)
     Reserva Especial para revisão do plano      R$ 1.007.267 

     Principais fundos Previdenciais:
           Fundo de Contribuições:                        R$  1.368.882 (suspensão contribuições)
           Fundo de Destinação Reserva Especial    R$  4.784.686 (art.83 Regul.)*
 
     Fundos Administrativos (despesas relativas à manutenção da estrutura
                                          Administrativa da Previ)
           Plano 1                                                 R$     727.711
           Previ Futuro                                          R$      74.232
           Capec                                                   R$      22.279         

Segundo informações nas notas explicativas, foram utilizados R$ 3.283.603 dos Fundos de Destinação da Reserva Especial. Desse valor, R$ 1.303.040 foi utilizado para pagamento do BET aos associados e creditados R$ 338.761 em conta individual dos participantes que ainda estão trabalhando (receberão quando se aposentarem). Na conta do patrocinador foi creditado R$ 1.641.802. Lembrando que nesses valores está embutido o pagamento do BET do grupo pré-67, que deveria ser descontado da parte do Banco e, pelo contrário, além de descontar do fundo dos associados pós-67, o Banco recebe o crédito desse valor, em suma, o Banco ao invés de pagar, recebe. Fato reconhecido pela atual gestão, porém até o momento não solucionado. 

Alguns pontos importantes constantes do Parecer Atuarial: 
 
Funcionários Ativos: 29.476
- idade média ativos: 49 anos
- Salário de participação médio: R$ 6.471,35 (usado para cálculo do benefício) 

Aposentados:  69.376
- Idade média aposentados: 64 anos
- Benefício médio: R$ 7.024,44 

Pensionistas: 19.736
- Benefício médio: R$ 5.415,15 

Segundo informações constantes no relatório, o contrato firmado com o Banco em 1997 relativo ao grupamento pré-67, de acordo com a cláusula 10 do acordo, sua duração tem prazo vinculado à quitação do último compromisso referente ao complemento de aposentadoria desse grupo. Em 31.12.2012, o Banco e a Previ firmaram novo contrato que disciplina a integralização de 100% das reservas matemáticas desse grupo pelo regime financeiro de capitalização. Nesse novo contrato, é considerado como Grupo Especial, os associados admitidos no Banco até 14.04.1967 e que obtiveram complementos adicionais e/ou judiciais assumidos pelo Banco (verba P220). Foram identificados como integrantes desse grupo especial, 3.202 associados, cujo valor do passivo atuarial corresponde a R$ 1.013.753.938,45, em 31.12.2012. A cláusula 3 desse novo contrato estabelece que o Banco efetue pagamento antecipado de contribuições que serão contabilizadas como “contribuição amortizante Grupo Especial”. Os recursos para aporte nesta rubrica contábil serão realizados por meio de transferência do Fundo Paridade. O saldo dessa rubrica em 31.12.2012 é o valor citado acima. 

Sinceramente, eu não tenho como analisar esse novo contrato firmado entre o Banco e a Previ em relação aos 3.202 associados pré-67 (verba P220), pois as informações constantes no relatório anual não são suficientes para isso. Infelizmente, a Previ também não apresentou uma comunicação explicando essa mudança aos associados. Em relação aos dirigentes eleitos, é um absurdo que um assunto tão sério como este não tenha sido explicado pelos nossos representantes. 

Deixo em aberto para que os colegas contribuam com informações e/ou opiniões.
(*) Art. 83 – Os valores oriundos da Reserva Especial passíveis de destinação aos participantes e assistidos e aos patrocinadores serão apropriados no Fundo de Destinação da Reserva Especial de Participantes, de um lado, e no Fundo de Destinação da Reserva Especial de Patrocinador, de outro, na proporção contributiva prevista no plano de custeio deste Plano de Benefícios, conforme a legislação aplicável.
Parágrafo único – Os fundos mencionados no caput serão atualizados mensalmente pelo índice previsto no artigo 27, acrescido de juros atuariais.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Análise Relatório Previ 2012 (1)


Caros colegas,
Analisando o relatório de 2012 da Previ, estarei resumindo os principais pontos para facilitar nossas discussões. Hoje, falarei sobre o desempenho dos investimentos. Preparem as perguntas, dúvidas e críticas para discutirmos.
A rentabilidade dos investimentos do Plano 1 foi de 12,62%, assim distribuído:
- Renda fixa - 17,45%;
- Renda variável – 8,12%;
- Investimentos estruturados – 1,73%
- Imóveis – 36,53%
- Operações com participantes: 11,45%

Podemos verificar que a renda variável teve o pior desempenho e esta rentabilidade impacta diretamente no nosso plano, em função de um alto percentual investido em ações.
A rentabilidade da renda fixa foi impactada pela operação de troca de títulos (já falado aqui no blog), onde houve um “incremento” de R$ 3.679.733, parte deste “ganho” foi justamente em função da troca de títulos, estratégia responsável pelo resultado positivo que a Previ apresentou. Caso não fosse feita essa troca de títulos, o resultado seria deficitário.

A alegação da Previ para a troca de títulos foi a adequação do prazo dos títulos públicos federais ao fluxo de caixa de longo prazo da Previ e, é lógico, também beneficiou o Governo.

Em relação à renda variável, o Plano 1 tem R$ 46.899.102 em ações, distribuídos conforme abaixo:

- Instituições Financeiras – R$ 5.055.879;
- Companhias Abertas – R$ 32.725.791;
- Soc. Propósitos Específicos – R$ 1.551.509;
- Patrocinador – R$ 7.565.905.
O maior volume investido está concentrado nas seguintes empresas:
- Banco do Brasil ON –                R$ 7.565.904.512,00;
- Banco Bradesco, ON -               R$ 1.083.386.725,24;
- BRF Foods S.A. ON –                 R$ 4.452.999.325,18;
- Cia Bebidas Ambev, ON -          R$ 6.247.868.884,40;
- Itaúsa Invests Itaú S.A. PN –      R$ 1.265.549.087,49;
- Itaú Unibanco Holding – PN –     R$ 2.710.029.231,00;
- Litel Participações S.A., PRC -  R$ 1.522.388.611,57;
- Neoenergia ON –                       R$ 4.578.894.966,16;
- Petrobrás PN –                          R$ 6.746.531.972,80;
- Telemar Participações ON –       R$ 19.846.266,64;
- Tupy S.A., ON -                         R$ 1.006.954.570,23;
- Ultrapar Participações, ON -      R$ 1.468.341.945,00
Além desses investimentos em renda variável, há também os fundos de investimento, que totalizam R$ 84.497.535, com a predominância dos fundos de renda fixa – R$ 33.604.335 e do fundo de ações – R$ 49.721.962.

A Previ apresenta diversos desenquadramentos em relação à legislação (Resolução CMN 3792, de 24.09.2009), conforme abaixo:
1)    “As aplicações cujo emissor seja Cia. Aberta com registro na CVM não podem exceder o limite de 10% dos recursos de cada plano de benefício” (art.41, inciso III, alínea b).
     Vale S.A. – Participação direta e por intermédio da Litel Participações – 22,10%.

2)    “O total das aplicações de uma mesma companhia não pode exceder 25% do respectivo capital total” (art. 42, inciso I).
521 Participações S.A. – 100%
CPFL Energia S.A. – 31,02%
Invests Participações Infra Estrutura S.A. INVEPAR – 25,56%
Neoenergia S.A. – 49,01%
Sauípe S.A. – 100%
Tupy S.A. – 35,61%
3)    “O total das aplicações de uma mesma companhia não pode exceder 25% do respectivo capital votante” (art. 42, inciso II).
521 Participações S.A. – 100%
Centrais Elétricas Santa Catarina S.A. – 33,11%
CPFL Energia S.A. – 31,02%
Fiago Participações S.A. – 51,89%
Fras-le S.A. – 34%
Neoenergia S.A. – 49,01%
Sauípe S.A. – 100%
Tupy S.A. – 35,81%
4)    “No caso da carteira de Fundos de Investimento Estruturados, o total das aplicações em um mesmo fundo não pode exceder 25% do Patrimônio Líquido do Fundo”. (art. 42, inciso IV, alínea b).
Fundo Investimento Imobiliário Panamby – 31,60%
A justificativa da Previ é que esses excessos estão previstos no plano de enquadramento que foi aprovado pelo CMN em novembro de 2004 e que foi revisto em 2010. Ou seja, o que a Previ tem feito é apresentar relatório de execução do plano de enquadramento à PREVIC semestralmente acompanhado do parecer do Conselho Fiscal que atesta as providências adotadas.
Essa questão do desenquadramento é séria porque demonstra como a Previ está concentrada em alguns ativos que podem trazer prejuízos aos participantes do plano. Ainda bem que as empresas onde a Previ está mais concentrada, como a Vale, CPFL Energia e Neoenergia são empresas consolidadas e não dá para pensarmos em prejuízos no longo prazo, porém para um plano fechado e maduro, como o Plano 1, não deixa de ser bem temerosa em função dos recursos líquidos necessários para pagar os benefícios.
Podemos perceber também que não há mais espaço para investir em renda variável no Plano 1. Precisamos buscar alternativas menos arriscadas para proporcionar tranquilidade e segurança aos nossos associados em relação aos seus benefícios futuros. O plano 1 não está mais na fase de captação, como é o caso do Plano Previ Futuro, plano jovem e em fase de captação, porém se vocês observarem, nesse Plano, a Previ é bem conservadora. Por que será? Simplesmente porque nesse plano se ela fizer algum investimento ruim, o impacto é direto na cota do associado e, por isso, ela é muito conservadora na forma de gerir o plano. No Plano 1, como é um plano solidário, os recursos se misturam e qualquer prejuízo ou lucro é dividido por todos.
Bem, colegas, o objetivo desta análise é fazer uma discussão sobre os investimentos da Previ e abrir espaço para que os colegas tirem dúvidas ou coloquem suas opiniões sobre o assunto. Sua participação é muito importante.