Caros colegas,
Os noticiários da semana me deixaram muito desanimada.
Primeiro, estamos vivenciando um momento histórico onde os homens sem caráter e
sem ética tomam conta do cenário político com poder para comandar o Poder Legislativo.
É triste, muito triste. Pessoas que somam várias denúncias de fraudes,
irregularidades e falta de vergonha na cara, pois óleo de peroba para essas
figuras seria muito pouco. Todo o legislativo está nas mãos do oportunista
PMDB, que será (pelo visto) quem dará o tom da segunda metade do mandato da
Presidente Dilma. É lamentável perceber que fomos enganados, pois a maioria dos
parlamentares votou nessas figuras carimbadas.
Outro ponto que me desanimou bastante foi o resultado da
empresa Petrobrás – “Petrobrás tem menor
lucro em oito anos”. O ganho foi reduzido em 36% em 2012 e os analistas
culpam a interferência do governo que segurou o preço dos combustíveis para
evitar a alta da inflação. A perda foi de US$ 32 bi de valor de mercado e a
Previ é uma grande investidora nessa empresa. Sua participação é significativa
tanto no Plano 1 como no Plano Previ Futuro e esse resultado, é claro, impacta
nossas contas. As perspectivas para 2013, segundo a Presidente da empresa, não são otimistas e a ingerência do governo segurando o aumento dos combustíveis e taxando impostos altos, dificultando o fechamento da conta pela empresa. Resultado: redução dos dividendos, venda de ativos, entre outros. Apesar da Presidente Graça Foster ter tido uma postura muito transparente e passando credibilidade, a situação não é confortável.
Outra situação que também me deixou apreensiva é essa defesa
da Previ na redução da reserva de contingência, que hoje é de 25% das
obrigações matemáticas para 15%. Foi amplamente divulgado nos blogs existentes a manobra
do governo atual em aprovar a resolução para regulamentação da retirada de
patrocínio. Na minuta apresentada, havia uma cilada – o patrocinador teria
direito a parte da reserva de contingência do Plano – quer dizer que, uma
reserva criada com o objetivo de suportar as oscilações e crises do mercado que impactassem negativamente no resultado,
seria utilizado para encher os bolsos dos patrocinadores, fugindo totalmente ao
objetivo inicial de sua criação. Lembrando que um fundo de pensão não é para
ter superávit ou déficit, é para ter suas contas equilibradas. Qualquer
superávit ou déficit significa que o plano está em desequilíbrio e isso não é
muito salutar. A função principal de um fundo de pensão é garantir o pagamento das
aposentadorias e pensões até o final. É muito bom dividir superávit, mas temos
de reconhecer que, da forma como temos superávit, também podemos ter déficit,
dependendo do cenário vivido.
Eu tenho batido na tecla por várias ocasiões, em relação ao
risco alto do Plano 1, um plano fechado e maduro ter mais de 63% em
investimentos em renda variável e com uma concentração forte em poucas
empresas, com acordos de acionistas que impedem qualquer negociação. Essa
presença forte em renda variável faz com que o nosso Plano fique muito volátil,
refém das oscilações de mercado. Qualquer sopro na Bolsa de Valores impacta
nosso resultado. Com a experiência de dois mandatos na área de gestão de riscos
da Previ, aprendendo muito com os excelentes técnicos que existem lá, fico com
um pé atrás quando leio essas defesas dos patrocinadores, que é encabeçada pela
ABRAPP. Infelizmente, eu aprendi que, geralmente, o que é bom para o
patrocinador não é bom para os associados. E, com isso, fico com o pé mais
atrás ainda. O Banco está louco para engordar seu resultado, principalmente
porque ele não poderá mais contabilizar os ganhos futuros do Plano 1 da Previ.
Isso causará um buraco nas suas contas que começará este ano.
Por isso, colegas, vamos com calma. Um plano de previdência
é para durar enquanto houver participantes e pensionistas e, para isso, é
importante cautela e certa dose de conservadorismo. Alegar que o cenário mudou
e que não há mais o risco de crises
mundiais ou mesmo de quedas bruscas na bolsa de valores, que não é preciso ter
um percentual tão alto de reserva de contingência, não me parece tão real
assim. Prefiro ser mais conservadora e pensar na sustentabilidade do plano.
Vamos lembrar que o fantasma da inflação continua assustando e, apesar das
manobras do governo para impedir sua aparição, ele insiste em dar as caras. Até
quando o governo vai sustentar a atual taxa de juros? Até quando ele vai
segurar a inflação? Até quando as empresas manterão o pagamento de dividendos ao nível que é hoje com a possível redução do PIB? Será que a Bolsa de Valores voltará a subir como no passado ou ficará um bom tempo andando de lado como foi em 2011 e 2012?
Desculpem o desabafo, porém prefiro pecar pela cautela a
defender uma divisão já do superávit que apareceria, caso fosse reduzido o
percentual da reserva de contingência. Apesar de que para isso acontecer seria
necessária a alteração da legislação, mas a gente sabe que quando interessa ao
governo e ao Banco do Brasil, rapidinho a mudança acontece.
E você, colega, o que acha desses pontos que abordei?
Um grande abraço,
Cecilia Garcez