Compartilho com vocês as notícias recentes publicadas no Jornal Valor Econômico que valem a pena refletirmos , pois trata-se da recuperação que o mercado alcançou no primeiro trimestre e que pode ser um sinalizador que as coisas estão melhorando, apesar de ainda ser prematuro afirmar, podemos dizer que existe uma luz no fundo do túnel.
A Previ teve um bom desempenho no primeiro trimestre e, assim que os valores estejam fechados, eu os divulgarei para que os colegas tenham uma noção de como o mercado está reagindo, porém para que tenham uma idéia clara do cenário futuro é muito importante analisarmos o fechamento do primeiro trimestre das empresas, principalmente aquelas em que a Previ tem participação. Aí, sim, podemos ter uma idéia mais clara do primeiro semestre e uma perspectiva para o segundo.
No meu entendimento, o momento é de esperança que as medidas que o Governo têm adotado sejam eficientes e que consigam minimizar os possíveis impactos da crise econômica mundial na nossa economia. Algumas perguntas ainda resistem, como: "Será que o fundo do poço já passou?" O governo acredita que sim, porém outros analistas afirmam que muita água ainda vai rolar. O que temos certeza é que alguém vai acertar, haja vista que cada um fala uma coisa. De qualquer forma, estarei divulgando sempre notícias atualizadas para que os colegas acompanhem o processo.
"PRIMEIRO TRIMESTRE – RENTABILIDADE MUITO ACIMA DA MÉDIA
Depois das dificuldades enfrentadas pelos fundos de pensão no último trimestre do ano passado, o cenário começa a se mostrar mais calmo para as entidades. Dados preliminares da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) apontam que nos três primeiros meses, a rentabilidade estimada do sistema ficou em 4,68%, acima da necessidade atuarial do período, de 2,75%, representada por INPC mais 6% ao ano.
Três fatores contribuíram para o bom resultado. O primeiro deles é a bolsa em alta até o momento. Soma-se a isso a perspectiva de queda da inflação, na casa dos 4,5% para o fim do ano, que reduz a expectativa para as metas atuariais. Por fim, os títulos de renda fixa continuam com bons rendimentos para as entidades.
Desde janeiro, a renda variável apresentou forte recuperação, com alta de 11% até o fim de março. Já a renda fixa teve retorno estimado de 2,2%, com os imóveis apresentando valorização média de 2,6%, segundo cálculos do Núcleo Técnico da Abrapp - os retornos dependem do tipo de exposição de cada entidade.
"Não se pode medir os fundos de pensão num espaço tão curto. Antes da crise, acumulávamos o dobro de rentabilidade. Agora, em um trimestre, já fizemos o dobro de novo. Essa é a realidade. Não se pode pensar na rentabilidade de curto prazo se a perspectiva é de longo prazo", avalia José de Souza Mendonça, presidente da Abrapp. No ano passado, a rentabilidade do sistema ficou negativa em 1,62%.
Apesar do começo animador, o ano não será tranquilo, acredita Mendonça, por conta da queda das taxas de juros e da manutenção da volatilidade da bolsa. A perspectiva é que a rentabilidade real fique em torno de 4%, abaixo da necessidade da maior parte dos fundos, que é de 6%. "É preciso repensar as metas atuariais".
Segundo Fernando Lovisotto, diretor da consultoria RiskOffice a questão é saber quando os fundos voltarão a comprar ações. "As fundações vão ter de assumir mais riscos, a discussão é quando isso vai acontecer", avalia. Essa busca por prêmios maiores é inevitável em um cenário de taxas de juros reais cada vez menores.
De acordo com levantamento da RiskOffice, os fundos de pensão que possuem exposição elevada ao CDI já enfrentam mais dificuldades para superar a meta atuarial. Ainda assim, Lovisotto acredita que os fundos irão bater a meta neste ano "até com certa folga".
Os fundos de pensão também se mostram animados com os primeiros meses, mas mantêm a cautela. "Temos a meta atuarial comportada de um lado e bolsa subindo do outro, mas está difícil de entender essa minieuforia atual", disse Jorge Simino, diretor da Fundação Cesp, entidade dos funcionários do setor elétrico paulista.
Simino destaca que além do bom desempenho da bolsa, as taxas dos papéis de renda fixa caíram, ou seja, o preço do título subiu. O NTN-B com vencimento em 2045, por exemplo, teve valorização de 9,5% no ano.
Uma boa quantidade desses títulos foi adquirida no momento de maior turbulência do mercado, em outubro, quando as taxas dispararam. Nesse período, as fundações conseguiram montar posição em títulos que pagavam entre IPCA mais 8,5% e IPCA mais 9%. "Esperamos os pontos de estresse para aproveitar boas taxas. Agora, em momento de euforia, tentamos operar na renda variável", afirma Simino.
Demósthenes Marques, diretor de investimentos da Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal, explica que a entidade tem uma carteira preparada para esse momento. "Nossa exposição à taxa de juros é muito baixa. Fizemos uma migração de títulos atrelados à Selic para papéis indexados à inflação ou para ativos com risco de crédito corporativo", disse.
A Funcef reduziu a parcela atrelada diretamente a juros de 47% do total, em 2004, para 19% no fim de 2008. O movimento mais forte foi feito no ano passado, com mais de R$ 4 bilhões. Nesse cenário, a expectativa do dirigente é fechar o ano com desempenho melhor do que 2008. "A tendência tem sido, desde o começo de novembro, em que pese a volatilidade, de leve recuperação", afirma Marques.
O Metrus, fundo de pensão dos metroviários de São Paulo, também teve um primeiro trimestre positivo. Até o início de abril, a rentabilidade nominal foi de 5,32%, superior à meta atuarial de 2,76% no período. Em 2008, o retorno foi de 3,05%. "Recuperamos em um curto período de tempo", disse o Presidente da entidade, Fábio Mazzeo.
Os investimentos em renda variável, no plano de benefício definido, renderam 17,44% até o dia 3 de abril deste ano. No plano de contribuição definida, cujo patrimônio é menor, o retorno em ações foi de 13,95%.
Na Fundação Real Grandeza, fundo de pensão dos funcionários de Furnas, o presidente Sérgio Wilson Fontes diz que embora as perspectivas para os mercados no ano fossem - e continuem sendo - não tão otimistas, o primeiro trimestre foi muito positivo. "Tivemos um ganho de 4,6% enquanto a meta atuarial ficou em 2,78%", disse o dirigente.
O cenário de inflação em baixa e juros em queda contribuiu bastante para a performance da carteira, que é composta por títulos públicos bastante longos. "Só na renda fixa já conseguiríamos garantir retorno superior à meta, já que a variação foi de 3,54%", disse Fontes. Porém, a bolsa de valores deu uma ajuda extra e rendeu 10,48% no trimestre, o que turbinou o resultado geral.
Para frente, porém, Fontes prefere continuar se fiando nos papéis longos atrelados à inflação para continuar garantindo um ganho mais consistente, já que a expectativa da fundação é a de que a bolsa não continue trazendo só alegrias. A perspectiva é de que novas turbulências possam surgir ao longo do ano.
No ano passado, a Real Grandeza alcançou ganho de 2,4%. Para Fontes, o ano foi difícil, mas a crise gerou oportunidade de comprar títulos longos. "Trocamos títulos de 2011 e 2017 por papéis com vencimento em 2031 e 2045, que passaram a ter cupons mais atrativos na crise", disse o dirigente.
Fonte: Valor Econômico
ALTA DA BOLSA VEIO AJUDAR
Os ganhos no mercado de ações voltaram e já trouxeram benefícios para os fundos de pensão. Na Previ, dos funcionários do Banco do Brasil (BB), o primeiro trimestre foi ainda mais positivo, por conta da exposição grande em renda variável. De acordo com o diretor de investimentos Fábio Moser, os números ainda não estão fechados, mas as projeções apontam para um ganho médio de 5,5%, mais que o dobro da meta atuarial estimada para o período, que foi de 2,68%.
A carteira de renda variável, que representa cerca de 60% do total, teve cerca de 6% de variação positiva. "Vale lembrar que uma parte da carteira é de participações, então da mesma forma que nossa perda é menor que a média da bolsa quando o mercado vai mal, o ganho também fica aquém do Ibovespa em períodos de alta". A renda fixa, porém, também obteve ganhos significativos, de cerca de 3,8%, entre janeiro e março.
Para Moser, apesar de os primeiros meses terem sido positivos para os mercados, ainda não é possível arriscar cenários mais firmes para os próximos meses. "Estamos cautelosos e sem fazer grandes movimentos nas carteiras, até porque não existe necessidade, já que temos uma posição confortável com relação aos nossos compromissos de pagamento", disse.
As aplicações na bolsa também ajudaram a aumentar os ganhos da Sabesprev, o fundo de pensão dos funcionários da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O ganho total do fundo foi de 3,8% no primeiro trimestre, 140% da meta. A carteira de renda variável rendeu 7,5%, quase três vezes a meta e mais que o dobro que os ganhos da renda fixa (3,1%, o equivalente a 120% da meta).
Apesar da alta das ações, a expectativa para os próximos meses é de manutenção da volatilidade na renda variável, conta José Sylvio Xavier, presidente do fundo. "Estamos com um pé atrás com a bolsa", diz ele. Para o diretor de previdência da Sabesprev, Cesar Soares Barbosa, a bolsa vem subindo por notícias pontuais e a volatilidade deve continuar. "Não há nada que sustente esse otimismo".
Mesmo com todo o sobe e desce da bolsa desde setembro do ano passado, a Sabesprev não alterou o percentual que investe em ações, mantido em 14%. Preferiu sair de fundos multimercados, que estavam com desempenho bem ruim, e reforçar a renda fixa, comprando papéis privados e títulos públicos indexados à inflação.
(Fonte: Valor Econômico).